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domingo, 24 de janeiro de 2016

Entrevista

Como você está?
Na cama, só de bermuda, cor azul, cerveja no copo, cigarro recém apagado, soltei um pum, estou bem.
Que sincero. Está lendo algo?
Sobre afeto. Filosofia. Voltei a ler Nietzsche.
Humm... E ouve alguma música?
Agora?
Sim. Mas durante o dia.
Ouço sim. Agora ouço uma moça cujo nome não vou revelar. Mas durante o dia ouço outras coisas. Não importa, pois música é uma coisa que não paro de ouvir. Voltei até a comprar CDS, acredita?
Acredito. Me fale: algum medo?
Medo?! Sabe, creio nunca ter estado tão destemido. Sei lá, talvez uma sensação boa de morte, um cansar da moral - ainda que só em tese - eu hoje estou mais afinado com o que sinto.
Não sei o que perguntar.
Era uma entrevista.
Posso apenas só te olhar?
Pode.
Obrigado.
Viu?
O quê?
Alguma coisa, você viu? Acontecer?
Passou o tempo.
Sempre.
Sempre.
Pois é...
Deveria ter dito outra coisa?
Vamos dormir.
Dormir?
Dormir.
Vamos dormir?
Sim. Cada um na sua cama.

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