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sexta-feira, 20 de março de 2015

Bolo Estomacal

Todo o dito
todo o feito
a metáfora preserva
um pouco assim
longe do fundo meu peito.

Os escárnios
as vergonhas que brotaram ao te ver
Tudo permanece intacto
tanto é que não me faço
nem questão de dizer.

A pobreza se revelou no infante mais rico.
E tudo ficou pequeno
tudo ficou ridículo.

Se dói meu coração
também assim ele reconhece:
a sua praia não é a minha
então me esquece.

Seria fácil conversar
voltar intimidade
Mas em silêncio
tudo o que mais desejo é a maldade

de ir longe
sem trocar sequer soluços,

nem nada.

Eu queria que houvesse confiança
mas ela se mudou em suas malas
O conforto se dissipou
e só o que me restou foi a certeza
de que tens de sentir tudo isso

Sozinho.

Sinta-se orgulhoso
não por ter alguma importância, naturalmente
Mas porque esta poesia não serve para nada
muito menos a ti
tão carente de reconhecimento.

Como se fosse fácil.

Nem tudo o dinheiro compra.

Que decepção, hein?

A mediocridade aflora
no lençol mais fino
No perfume mais refinado
Na vestimenta mais cara
porque tudo isso
te expõe e condena

E seguirás, no entanto, a vida
forjando doenças
para não se reconhecer
o visível sob tantas faciais linhas:

não nasceste para a dureza.

Você nasceu para dar ok
nas linhas dos atestados médicos
que te fazem achar
que a vida é bolinho

e não este bolo
estomacal e complexo.

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