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sexta-feira, 6 de março de 2015

Roda

A coisa mais linda de todas
é o seguir, alheio ao sentido

É permanece imundo e mudo
ainda que deseje falar e gritar
todo o íntimo

A mais linda coisa
- de todas -
Sem dúvida há de ser
esta:

sentir fome e mirar a pêra
sentir sede e permanecer
sedento,

Deve haver alguma beleza
em tossir gripe ao relento
Em dar beijo sem nem bem dá-lo
Deve haver algo, alguma coisa
indefinida

Que comporte o instável de estar vivo.

Amanhece o dia
e a nuvem negra
precipita o que ainda não veio

Atropela-se o cachorro
e ele ali fica
Prensado por repetidas rodas
de distintos carros
sobre o calor de distintos minutos do dia
no mesmo negrito asfalto.

Sem sentido, nem direção
o adiante é só sugestão:
confia-se nele
como se confia
no sim
no talvez, no não

Importa?

O coração range
e a aorta arrota:

estamos vivos, comparsas.

Estamos, ainda assim
ainda agora, ainda aqui
na Roda.

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