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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

heroína a lápis HB

ítalo, de longe, mira a professora com a arma sobre o colo.
ana – escuta, garoto. o que você espera de mim é tão impossível quanto o que você espera do mundo. eu não vou dar conta dos seus problemas. eles são seus. sabe aquele plano de saúde que a sua mãe ou seu pai ainda pagam pra você? ele é de mentira. ele não vai te salvar, não vai te proteger. a sua saúde extrapola o seu corpo. o seu vício destrói pra além do seu estômago, pulmões e sentidos. não me deixe te dar uma lição de moral agora. porque a cada vez que eu tenho que fazer isso, mais eu me machuco. mais eu descubro, enfim, o quanto eu mesma fui desprezível. não me deixe continuar porque hoje, eu tinha esquecido, hoje eu percebi que eu posso te enlouquecer com essa sequência de palavras conscientemente arranjadas pra perverter o seu caminho e nublar a sua vista. não me deixe continuar, porque se eu o fizer, junto nisso virá todo o meu pavor, o meu ódio e tormento. virá junto nisso a minha história não-coagulada. não me deixe continuar porque eu posso te dar o sentido do gatilho. eu posso não porque eu posso, eu posso porque é você quem me diz isso, meu caro. é você que vê em mim esse monstro que te atropela e domina. é você que vê em mim mais que um salto alto. é da sua vista que escorre o óleo que desencaixa as engrenagens deste mundo. você não é menor. você não é maior. você sou eu. por favor, eu te peço. não me deixe continuar, porque tudo o que eu mais desejo é nós ver ultrapassando tudo isso\

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