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sábado, 3 de julho de 2010

Solitária Vitória

Eu não sou seu terapeuta, você sabe disso, não?

Sei. Eu não faço terapia.

Acha que não precisa?

Não é isso. É só uma conversa.

A terceira, em uma semana.

Qual é o problema?

Não é problema. Eu disse que já é a terceira vez em cinco dias.

Sim. Eu sei.

Eu sei.

Então… Eu vim dizer que estou intrigado com o que descobri.

Vamos lá, me fale.

Eu acho que a gente só precisa do outro…

A gente quem?

A gente, nós, todos nós.

Segue…

Eu quis dizer que a gente só precisa do outro…

Que outro?

O outro, qualquer outro, alguém que é, mas não você.

Não eu?

Espera. Deixa eu falar. Eu acho que a gente só precisa do outro para conseguir se ter.

Viagem.

Não é.

É.

Não é.

É sim.

Exemplifica.

Tá. Certo. Por exemplo… Ah… Vamos supor…

Não. Sem suposição. É concreto. Diga, selecione um exemplo seu com qualquer outra pessoa… E desenvolva.

Certo.

O que foi?

Eu pensei numa coisa mas tô em dúvida.

Sobre o quê?

Sobre a gente.

A gente quem?

A gente eu e você.

O que é que tem?

Eu não sei se eu preciso de você apenas para me ter.

Então sua teoria acabou de cair, é isso?

Quem me dera fosse esse o problema…

E qual é o problema? Temos que ter um problema?

Boa… Quer dizer… Não temos, eu quero dizer, ai…

O que foi? Não me faça ficar te perguntando porque vai parecer terapia…

A gente… Não é isso de eu precisar de você para me ter…

Não, eu imagino…

E por quê?

Responda você.

Não, você. Eu te perguntei.

Não, você jogou pra mim a sua vergonha em responder.

Vergonha?

Sim.

Por que eu me envergonharia?

Porque vai dizer que acha que existe alguma coisa além do fato de estar aqui conversando comigo.

Você acha?

Está preso nos seus olhos.

Tá bom…

Não se desmereça.

Eu não estou.

Tudo bem. Então pode ir saindo. Já que você veio aqui apenas para se ter, eu começo a achar que eu não quero servir de trampolim para a sua solitária vitória.

Certo.

Depois conversaremos sobre esse seu orgulho besta.

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