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sábado, 3 de julho de 2010

Nosso Maior Fato Consumado

Algo que te fizesse bem, ou mesmo mal, não importa, sobrevive apenas a importância deste gesto, saindo daqui indo rumo a ti, por você produzido, para você destinado. Assim, direto, feito seta com flecha e cravo. Feito tiro de festim florido, tiro carícia, forte e pesado, todo assim cosido no fato maior nosso consumado. O que eu poderia te contar, a uma hora dessas, que te fizesse sorrir? O que te contar, qualquer coisa serviria se eu viesse a ter certeza, que o que dissesse seria, enfim, capaz de te fazer gelar. Sentir frio. Fome. Medo. O que eu dissesse viesse assim e puf!, te fizesse correr, morrer, gritar, chorar. Ou não.

O que poderia dizer a você que o fizesse continuar assim, atento, lendo seu livro nesse silêncio que agora você me pede ao me deixar trancado neste quarto entretido entre as palavras que escrevo para não gritar a você?

O que eu poderia te contar se de repente assim você se erguer dessa poltrona e de mim se aproximar? Que revelação eu seria capaz de lhe entregar se você vier agora, neste instante, e entrar no quarto como se quisesse amar? Eu aqui fazendo perguntas para responder aquilo que você teima em não me perguntar. Eu testando respostas para aquilo que gostaria, mesmo, que você fosse capaz de fazer nascer… Entre nós, alguma dúvida, alguma falta, alguma coisa além da cama mesa e banho.

Você sabe que música toca dentro de mim agora?

Sabe a cor dos meus olhos quando você se afasta? Sabe de cor meu cabelo, meu medo, meu desassossego? Sabe o que dói, o que vibra, o que me põe em chamas? Não precisa saber. Mas me pergunta que eu te explico. Eu te tiro para dançar. Eu faço contigo todas as mudanças que os novos tempos querem fazer brotar. Eu instauro o movimento eu o faço durar. Só, por favor, saia desse romance bobo e vamos escrever juntos as linhas ininterruptas que serão a prova viva do que hoje já não mais sabemos ser o amor. A poesia não existe nos livros, meu amor. Alguém teve a terrível ideia de as vender e juntou tudo entre folhas e palavras, tirando de ti a possibilidade de escrever seu verso. Eles estão perdidos, soltos por origem, aéreos por definição. Portanto, volta. Sou papel, sou caneta, sou espaço outra vez vazio para os seus, os meus, os nossos disparates.

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