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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

28 anos morrendo sem freio,

Seus pulmões doem quando você tosse, Diogo.

O que mais poderia eu lhe dizer?

Uma certeza te abala: sabes tu que vai morrer. Nem bem quando, nem bem sabes o motivo, mas sabes que a morte é sua maior amiga. Você, desde quando a soube, fez questão de a trazer contigo.

Junto.

Você trama estas linhas não para se livrar do que virá, mas porque precisa chegar mais perto, precisa o dente podre arrancar para enfim

sangrar.

Tenho observado como você tem observado seus dentes. Um fascínio nasceu em você. E é justamente sobre perceber como o seu corpo se gasta. Como o seu corpo está se gastando. Quanto mais você passa mais você vai ficando velho e isso não quer dizer idade, quer dizer também a presença disforme da falta de cuidado.

Quantos hoje?

Quantos cigarros?

O que um dia foi excêntrico virou em ti logo normalidade.

Você se orgulha de determinar suas regras.

Você se diz amigo da morte, mas se ela vier você vai se emputecer porque não teve tempo de fazer certas e indevidas coisas, mas veja: suas veias da mão estão inchadas.

Adianta ter energia se você apenas a usa para a sua completa desgraça?

Você não se importa mesmo?

É sério?

Você me tira a noção do possível.

Parabéns. Já se foram 28 anos morrendo sem freio
e parece que vai continuar.

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