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terça-feira, 30 de agosto de 2016

aquilo que eu (não) poderia te dizer

(não) poderia te dizer que está tudo bem
está tudo bem, mesmo, pode confiar
eu poderia (não) te dizer que se trata de nós dois
mas sim do mundo
de todo o mundo
eu sou parte disso
você também
mas é comigo
(não) é só comigo

(não) poderia te dizer que se trata de alguma mazela psicológica
(não) estou de luto, mesmo, (não) estou
não estou
não estou

eu poderia te dizer que é preciso tempo
um tempo (não) meu
um tempo (não) do universo
um tempo (não) entre a gente
que é preciso um tempo de sono
de silêncio
de desistência
tempo de nada a fazer
nada a ninguém
nem a si mesmo

(não) há paixão
(não) há retorno
(não) posso te dizer
o que carrego comigo dentre tantos parênteses

(não) é bem medo
(não) é mesmo
(não) é culpa de ninguém
como pode?
ser culpa de ninguém
(não) ser culpa

essa poesia (não) é sequer aquilo que sinto
estou sentindo tudo truncado
mas é claro
tudo me é claro
tudo (não) me é claro

vês?

dentro do meu silêncio mora em abismo um lago
retinto
sujo
até bonito

mora em mim
um mistério que não acaba
um silêncio que não quer se grito
uma confissão exasperada
de quem não está sabendo
viver bem nem contigo
nem consigo
nem com esse mundo abuso
mundo bruto
mundo rude
mundo morrido.

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