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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Oval

E então, quase em roda,
Disse a eles e a elas
Que seria necessário conversar
Isso mesmo, fazer roda, tocar
No problema e não mais fingir.

Silêncio.

Depois de um tempo,
Um deles me pergunta qual
É o problema? Outro afirma,
Certo de si, que estamos conversando
Até que a mãe, rainha do cinismo

Diz que talvez eu estivesse querendo a roda porque trabalho muito assim, muito em roda, trabalho muito sentando junto com os outros para vasculhar os problemas.

Seria um elogio, não estivesse a vida deles
E delas, tão distante de tudo.
Devo me sentir fora do padrão?
Devo me sentir injusto?
O que eu estou a eles e elas
O que estou exigindo?

Uma conversa
Nem bem precisa ser em roda
Um abrir do abismo
Dissecando sua engenharia
Silenciosa.

Não.

É melhor fingir que está tudo bem.
Não falaremos sobre os roubos
Cometidos pelo seu irmão.
Fingiremos que está tudo bem.
Tudo bem.
Ele vai dar a volta por cima.
Ele já fez isso noutra vez.
Ele roubou, deu a volta por cima,
De todos nós, e ainda conseguiu
Emprego, dinheiro, deu brinde para
Todos nós.
Ele vai conseguir.
Ele vai dar a volta por cima.

E que cima é esse?
Que não para de ser chamado?

Que cima é esse?
Insondável?

O ser humano é o pior da humanidade.

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