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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

"Começa um homem e termina uma mulher"

Lembrei do monolito do filme 2001 de Kubrick. Pensei em macacos, chimpanzés, no homem nômade. Pensei que começar como homem é nascer na violência e seguir com o falo nas mãos, vencendo o mundo na porrada. Primeiro homem. Depois mulher.
Aquela diferença já escrita pelas obras de artes: o nascimento do mundo é a vagina, enquanto o nascimento da guerra é o pênis.
Há alguma coisa diferente entre um homem e uma mulher que não seja o sexo?
É possível ultrapassar o homem apenas como violência e a mulher apenas como docilidade? A insustentável leveza do ser. O peso de um corpo sobre outro é ao mesmo tempo prazer e agonia.
Eu confesso: gostaria de terminar mulher. Imaginemos o que possa ser isso: talvez tivesse outro tipo de mão, talvez outro tipo de conexão com o chão do mundo, talvez eu pudesse sentir pela primeira vez isso de ter ventre, poderia eu parir, poderia eu sonhar quem sabe que chegou o fim.
Não sei o que especular, mas eu comecei como homem, então é fácil brincar de escrever destinos. Depois penso: se eu tivesse começado mulher o que seria para mim ter que mudar assim, de súbito, tão totalmente?
Seria eu mulher frente a qual o mundo faria mesura. Seria mulher nascido dentro de uma máscara pegajosa e escura. Eu demoraria a conhecer a poesia, apesar de ter tido o privilégio de conhecer alguns homens muito especiais.
O que falo?
Apenas falo.
Falo.
Falo.
Halo. Talvez. Ele Falo. Ela Halo.
No mais, especulacões.

Para Val Salles.

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