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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A Rua

Nunca não esteve ali, a te situar.
Ela esteve para te ver chegar do hospital
Ela deu espaço ao seu primeiro e secreto beijo.
Ela te flagrou em repetidos momentos que se repetiram repetidas vezes. Viu o carro passar, parar, abrir o portão e entrar.
Viu os amores aportarem e nunca mais. Ela viu com calma você crescendo. Conheceu seus joelhos quando ainda lisos e serenos. Fez marca, fez festa, te lambeu por completo.
A rua mirou seu olho tal como fosse ela um espelho, lá naquela madrugada em que a possibilidade de silêncio foi contemplar o chão de tanto já passado.
Ela recebeu as cinzas do seu primeiro cigarro.
Ela germinou com a lágrima da avó que morreu tão cedo.
Ela sabe tudo sobre você. E hoje, você a olha e teima apenas em se ver?

A rua é alguém que não cabe em corpo fechado.
Rua é corpo moldado a ser atravessado.
É história que não se contenta com fechamento.
É corpo que canceriza, se refaz e leva adiante, sem plástica, a marca de tudo aquilo por ali passou.

Você vê o que quando à rua mira?
Além de você, o que você vê?

Olhe a rua.
Ele sabe sobre caminhos.
Ela pode te ajudar a atravessar.

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