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sábado, 1 de dezembro de 2012

reflexão para um futuro próximo ou mesmo inda distante

sobre ser pai.

eu poderia escrever que não. seria mais fácil. negar é sempre um caminho dado. mas não. não posso ser tão simples assim. não com assunto tal que move meu íntimo e me desestabiliza.
pensar nos cabelos primeiros, nos cabelos pequenos, nos conjuntos de pano, cobrindo a pele recém-nascida. penso sempre nele andando ao meu lado, mas tão lá embaixo, tão pequeno, tão solto do mundo. tão descolado.
penso no primeiro par de sapatos. penso na altura que serei capaz de lançá-lo. apenas para brincar de medo e amor. medo e amor. assim, simples desse jeito. penso no abraço. no seu tamanho crescendo e fugindo de mim. não cabendo nos braços, nas mãos nem no sorriso.
penso tanto, meu filho, no todo. que te completo mesmo sem tê-lo vivo, sem tê-lo sequer a piscar-me um olho.
me emociono demais pensando nas danças que fará no colégio. nas paqueras, em tudo aquilo que poderá descobrir e que não temerás me contar. quero, meu filho, que você nasça pequeno como o mundo um dia nasceu. quero que sejas tão pleno, posto pequenino.
sem azia. quero que experimente cada semente. que passe a língua, sem saber se trará ao próprio corpo, doença incurável. quero que brinque em segredo de mim, que seja, apenas (eu estarei te vigiando).

por hoje é só isso.
e a cerveja, é claro.

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