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sábado, 1 de dezembro de 2012

Este café.


Tem gosto do que já foi,
este café que eu te fiz
- e você não veio -
ele tem gosto daquilo que
não conseguimos ser
quando juntos.
Entorno o caldo negro
até o fim,
privando-me de sentir
várias vezes
o mesmo
Agora - já todo ido.
Não houve poesia
em te passar um café
e te esperar
quente
morno
e agora frio.
Teve gosto de arrepio,
depois ficou assim como antes
tudo ficou confusamente bonito.
E então,
foram noites até descobrir
o seu princípio:
toque primeiro desintegrado
capaz de fuga imprevisível
toque umedecido pegajoso
e feito carinho
morde
remorde
baba e cria vinco
depois
esfolia a alma
despedaçada
pelo desejo
abrupto e renovado
da manhã vindoura.
Este café passou.
Como você.

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