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segunda-feira, 21 de junho de 2010

oh, sim, o cigarro.

ela se ergueu na cama e foi pega de surpresa. pensara no cigarro primeiro. não lembrou de nada ao amanhecer, foi primeiro diretamente ao cigarro. fechou os olhos, comprimiu a mão esquerda fazendo sobre si mesma uma espécie de carinho, um afago capaz de premer e marcar. abriu novamente os olhos. não sabia se deveria ou se não deveria fumar, afinal, era a cabeça dizendo. a cabeça pedindo. mas e o corpo? sem questionar, sem perceber, ia mão infeliz deslizando rumo à mesinha e apoiando-se sobre o maço.

o pó de café tinha acabado. comeu os últimos pedaços de pão. pensou, preciso fazer compras, preciso acabar com isso. e jogou para fora de si a fumaça que a preenchia. outra vez e mais naquele mesmo dia. iria encher e se esvaziar. iria fazer sobre si própria a ficção do amor que no final das contas era incapaz de concretizar. enchia e se esvaziava. ela sabia do que se tratava esse tal ato do fumar.

prometeu. na manhã seguinte, ao acordar com a boca cheia de cinzas. precisava encontrar um amor, alguém que ao menos o seu amor pudesse receber, abrigar, ser porto, sabe?, ficar. alguém que fosse.

ela era um pouco tísica, tinha vergonha dos ombros. tinha nos olhos uma persistência difícil de quebrar. os seios do tamanho mais acertado, o colo fino, as pernas arranjadas. ela naquele dia acordara nua, porque tanto sutiã quanto calcinha dormiram presos à janela, em meio ao vento, para secar.

não direi aqui o seu nome. temo que ela viria a se chatear. cabe dizer que está comigo e que parece, eu acho, querer ficar. durante um tempo. um tempo quem sabe que dura tanto quanto um cigarro pode durar.

Um comentário:

PATRICIA GOMES disse...

Não se esqueça os cigarros queimam lentamente...

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