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quarta-feira, 9 de junho de 2010

FAXINA

fica tudo irresoluto
as roupas largadas ao chão
as migalhas do pão
tudo solto
mas inerte
incapaz de quebrar
ou partir
ou virar outra coisa qualquer
que não seja a mesmice
essa mesma configuração.

tudo assim como deixei
nem as cinzas se movem
nem a chave quebra ou se perde
os papéis ainda são muitos
a poeira ainda é a pele
que cobre
que protege
que repele
e acalenta
a forma sob a qual os animais restam
guardados.

eu queria que rompesse
pelo sofá
algo capaz de me amar.

eu iria dizer algo assim
que pudesse me destruir
me fazer sangrar

mas já o sou
já sei disso
corre sobre minha pele
já esse cansaço
essa dor
essa intermitente vontade de sumiço
enquanto constante certeza
do horror no qual me envolvo.

hei de começar bem devagar.

desligar o computador.

retirar os cabos da tomada

religar a caixa de som

e dançar pela casa

com a vassoura passando-me de par

com a pá fazendo-me mesuras

eu hei de dançar hoje inerte sobre a sujeira

retirando dela a minha força mais solitária

a minha tentativa mais impossível

a minha dor mais pura.

Um comentário:

clarissa disse...

muito lindo...

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