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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Quero, quero, quero, claro que quero, eu quero.

- É difícil dizer o que eu quero te dizer.
- Eu entendo. Aliás, comigo é também assim.
- Você me entende?
- Completamente.
- Você não me acha alguém triste, acha?
- Na dose correta, sem desmedida.
- Tristeza é necessária, né?
- Eu sempre achei isso.
- E por que nunca me disse?
- Pensei que estivesse claro aqui comigo.
- Você é tão lindo.
- Não fala isso.
- É verdade.
- Eu me duvido.
- Não deveria.
- Eu vou me acostumar.
- Não se acostume. Então duvide. Um dia eu te provo.
- Prova?
- Provo sim.
- Sabe?... Eu não precisaria te dizer, se já não tivesse me tomado...
- Pois diga.
- Você acabou de me dizer isso. Vai parecer que eu disse só para retribuir.
- E qual é o problema com a retribuição?
- Se eu te chamo de linda, você vai achar que foi porque você me chamou antes e então...
- Não complica.
- Você é mesmo linda.
- Esse "mesmo" fez toda diferença.
- E você ainda continuou linda, do jeito que já era.
- Está agradável esta tarde. É difícil dizer, mas eu sinto felicidade.
- Eu tenho tanto medo da felicidade.
- Mentira?
- Verdade.
- Sério?!
- Por que não seria?
- Ela existe. Ela por vezes está numa esquina qualquer. Sem pane, sob o sol a pino... Sabe?
- O quê?
- Eu estou feliz. E isso não quer dizer nada que ultrapasse este segundo.
- Neste momento, em que eu te aperto as mãos e faço assim em seu cabelo.
- Estou suada.
- Estou sedento.
- Quer o quê?
- Água com gás. E tu?
- Um mate.
- Dizem que mate brocha.
- Dizem que a água vai acabar.
- É certo. As coisas acabam.
- Então vamos...
- Para onde?
- Vamos nos usar.
- Nos gastar, você diz?
- Sim. Você não quer?
- Quero, quero, quero, claro que quero, eu quero.
- Sei...
- O que foi?
- Eu duvidei de você.
- Tudo bem... Olha, eu não sou todo verdade.
- Eu tenho medo quando a conversa envereda por aí.
- Por aí onde?
- Por este lugar das confidências entre recém-conhecidos. Você não me deve nada.
- Não posso me abrir contigo?
- Mas devagar. Como fossem petálas de uma flor.
- Isso é de alguma poeta, não?
- Espanca.
- É bonito.
- Mas tem que ser lido sem presa, sem peso, sem pausa.
- Não quer escurecer...
- Eu acho ótimo. A gente pode esperar?
- Pelo o quê?
- Não sei. Pela noite. Esperar e ver.
- E o mate?
- A água?
- Enfim, e a sede?
- Mata ela em mim.
- Cantada cafonaaa!
- Sejamos, então, aquilo que somos.
- Posso te falar uma coisa?
- Faça.

(Beijam-se. Um algo simples e bobo, simples e bobo).

2 comentários:

Flávia Naves "O caos reina" disse...

que lindo! Amei!

Anônimo disse...

simples assim... sinceridade onde não cabe meias palavras. é olhar o outro, é explanar. continue... bju Nanda

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