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domingo, 29 de janeiro de 2017

Não, isso não

Não se trata de uma rendição.

Talvez ainda algum aprisionamento
Talvez um rabo, preso
Talvez um raio
Que não cessa de me trovejar.

Mas não, não estou rendido.

Não pode ser.

Já faz tempo
E eu ainda
Rendido a um você?

Não. Eu desconfio.
Preciso duvidar.
Seria mesmo isto:
você que passa
ainda me carrega
e me faz correntes
carregar?

Não, não é para tanto.

Talvez seja falta do que fazer.
Mentira.

Você me vem, vez ou outra,
Mas não cessa de vir.
Vem como saudade boa
Vem como chateação tenaz
Você me chega e então
O que posso mais?

Sobrevivo porque o tempo não parou.

A vida me anda. Às vezes, junto a ela
Eu vou.
Vezes não dou conta
E fico assim
No ato não feito estrangulado.

Não, não posso aceitar.

Preso a isso, preso ao isto,
Não.

Definitivamente não.

É só que essa noite dormi abraçado
Ao cobertor
E quando acordei
Pensei ser você.

Não, não era.
Eu já entendi.
Daí vem a poesia me desentender.

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