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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Através

Dali
através de onde ele olhava o mundo
Talvez houvesse o suficiente de calma
para se processar a instância
Do acontecimento.

Vendo-o de fora
olhando através da janela
Perseguindo o mundo,
mas com calma
Talvez houvesse alguma paz.

O semblante filtrado pelo vidro da janela
não revelou cansaço
Como antes, só o que se via
era interesse
calmo
Mas, interesse
ainda assim
Vontade certeira
de se desnortear junto ao mundo
lá de fora.

A abertura da janela não era tão grande
por ela não passaria um corpo, talvez passasse
mas só corpo de criança.

Dali
através de onde ele olhava o mundo
Seus tormentos sobreviviam suspensos
nada tendia propriamente ao fim
Eu vi
Eu o vi
Numa manhã, era cedo,
bem cedo eu o vi,

Ele estava sorrindo.
Ele estava sorrindo.
Só isso o que vi.

Através da janela
feito um gesto de escárnio rumo à insensatez deste mundo-instante
Ele sorria.
Ele sorriu.
Ele segue sorrindo.

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