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domingo, 23 de novembro de 2008

Pós.Enterro

A parada de ônibus
óculos escuro
para preservar do sol frio
as lágrimas que ainda agora
teimam em rolar

Na parada do ônibus
óculos escuro
para nublar as cores
e ressaltar a altura do prédio
Monstro
do qual você se foi
para não voltar

Parada
no ônibus
eu me culpei por não ter ido
te ver
ter ido
sentar ao seu mármore
e lhe dizer
as palavras que hoje ao vento
eu teimo em lançar

Parada entre os amigos
sentindo entre tantos sentidos
um buraco
uma escoriação
uma pele rasgada
e faltando dentre ela
uma costura
certa comoção

Parada do ônibus
eu volto para onde agora vivo
e tudo volta a parecer sem sentido
e tudo volta a se chamar vida
e já não é tão estranho essa azia
essa corrupção na própria lida do dia
nada é tão estranho

Parada
eu no óculos escuro
olho o céu em preto e branco
e nele te imagino
indo e voando
partindo e voando
sempre voando
nunca voltando

Não importa
parada do ônibus
eu desço apressado
o dia me reinvindica
e você no céu
eu sempre em seu percalço

Fique comigo
acompanhe meu destino
ponha sua mão
seus cabelos vermelhos
interfira o seu sorriso
e não me deixe temer nem amar
a altura dos prédios dessa cidade
não me deixe temer nem amar
meu próprio e negro umbigo

Não me deixe reconhecer minha face no fundo de um ou outro precipício
ainda não
não me deixe

Estou com você
na parada
de um ônibus

indo e sonhando
partindo e sonhando
sempre sonhando
sempre você
...

Um comentário:

Anônimo disse...

MEU DEUS! QUE COISA LINDA! QUANTO AMOR NESTAS SÍLABAS. TE AMO COMO ELA.

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