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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Nublado

O dia nasceu hoje por obrigação

Foram empurrando o sistema
girando os planetas
e na pressa se esqueceram de abrir os olhos do sol

Tudo assim está dormido
mas dormido não feito noite
mas feito pão
murcho
frio
dormido.

Então acordei
e não soube como proceder
havia um frio em tudo aquilo que eu pudesse
ou quisesse
fazer

uma onda invisível assolando os cantos da casa
a cama coberta sinaliza a minha vontade adiada
voltar ao recanto
à ficção do abraço da mãe

às asas que trazem de casa
apenas um edredon
sujo
de memória.

Quando eu era criança
eu não lembro de muitas coisas
isso dá a angustiante sensação de não ter sido criança
de ter pulado a etapa num dia de sol
e de ter caído neste aqui
neste agora
já com o corpo embrutecido
com o sorriso ferido
e sem entender o caminho

Houve um caminho?
Foi escolhido?

Lembro do cheiro
do susto
da passagem de sensações
mas nada é tão concreto como esse nublado que me fez a tanto voltar

Voltamos para quê?

é para começar
de novo
ou para de novo
desesperar?

...

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