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segunda-feira, 14 de março de 2016

13 de março de 2016 e o ódio do burro branco


isso aconteceu em copacabana. vejam a facilidade com que a burrice branca resolve os problemas do país que ela mesma ajuda a multiplicar. eis uma boa definição para burrice: ódio cego. ao fim do vídeo, uma menina de biquíni diz que tem que metralhar. uma velha afirma que o menino já nasceu bandido. não é sobre defender a criança por ela ter roubado, é sobre olhar o que se mostra a partir do roubo que já havia sido punido pela polícia. é sobre o ódio como afirmação primeira e última. essa gente não vê nada além do visível. é gente cega e surda, gente morta que vai morrer dizendo o mesmo porque já se esqueceu faz tempo que o mundo não é só o seu umbigo, é muito mais fundo. acho o cúmulo ver um homem socando a cabeça da criança. em hipótese alguma esse é um gesto possível. e isso é mais outro exemplo sobre como a democracia está em ferida aberta e sobre como as pessoas - muitas pessoas - não se interessam pela sua cicatrização. lançar esse ódio ao outro é simples, é gesto sem fundamento, é cuspir no mundo a sua incoerência e a sua falta extrema de cuidado com o outro. é gente que vai morrer preocupada em deixar seu ódio como herança aos filhos, netos e bisnetos. é gente que vai estragar não apenas esse menino, mas também seus príncipes e princesas, impondo-lhes um sentido fechado do mundo, fechando seu corpo para tudo aquilo que o mundo quiser um dia lhes apresentar. é gente morta porque sua certeza sobre tudo é o que anula a vida.
ontem eu não estava em copacabana. eu estava no centro, numa roda com 30 pessoas, estudando sobre como o poder entrou de tal forma em nossa vida, em nossos desejos e ações, a ponto de não nos deixar sequer perceber como nós também o propagamos. eu estava em roda, com 30 pessoas, pensando e tramando estratégias para ler, reconhecer e reescrever esse mundo. testando o soco primeiro no meu peito, no nosso, avaliando a nossa responsabilidade em relação ao outro, cientes de que o mundo não é só isso que dizem ser visível. que horror tudo isso. que vergonha. o ódio que eu sinto por gente como essa do vídeo é num mesmo gesto puro amor profundo. é um desejo meu de que eles se mirem no espelho e que o espelho possa lhes revelar - numa rachadura - aquilo do qual eles são feitos. ódio. amigo da ignorância. primo do orgulho. de gente que se acha tão diferentona que já foi embora deste mundo. gente que não serve mais para ser gente. gente que nem metralhadora daria conta, porque é gente já morta, é gente-metralhadora, que quando fala em tiros cala as outras bocas todas. gente que não vive, que só mata e em morte acha estar vivendo. redundantes ignorantes. vê-se que a falta de investimento na educação machuca também quem tem dinheiro. o famoso tiro que sai pela culatra.

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