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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O que há de novo ao meu redor

ainda é o mesmo
mas é permitido agora
ao meu olhar
ver com outros olhos.

de novo
ao meu redor
aquelas mesmas teias
no entanto
olhando-as agora
me parecem mais fortes
feito veias
nas quais corre a vida
até secar.

ao meu redor
o mundo diz ser o mesmo
o meu olhar porém
menos conformado
teima olhar diferente:

vê sangue onde flora perfume
e morte onde havia
seu eufemismo
solene, eufemismo
do morrer-se um pouco a cada dia.

haver de novo
para certificar-se dessa existência
dessa presença
desses corpos saltantes
que pulam e se jogam
até desaparecer.

o que há de novo ao meu redor
é tudo aquilo que escolhi não ver

que escolhi não ser
que escolhi,
mas que agora
a mim reinvindica
sua existência
seu insistente pulsar

e não mais chorar
e não mais sangrar

viver na totalidade do se despedaçar
a morte não como fim
mas como curso
dessa vida que se diz
e se dizendo
jaz de novo ao meu redor.

meio do mês

não desejaria felicidades para este ano
mas sim totalidades
e não mais pedaços
e não disfarçes

ou um beijo
ou um inteiro
não mais metade
não mais salto
e incompletude
não mais meio

desejo inteiro
como direito
como carência
como defeito
de não saber amar aos poucos.

a terra continua em transe



há muito do quem sou perdido por aqui...

Um comentário:

Caio disse...

Ao seu redor..
belas palavras e situação não tão belas.mas concorda que seria estranho se tudo fosse sempre belo?
passar bem.

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