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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Praça Pública

Como você está?

Pareço angustiado?

Não diria, apesar dos ombros altos.

Meus ombros?

Estão altos novamente. Excitados.

Não estão excitados.

Estão tensos. Preocupados.

São muitas responsabilidades.

É o que mais?

Nada mais. Tem algo mais além disso?

Tem tudo aquilo que julgamos desnecessário.

Vai me dizer que isso importa. Eu sei.

Sabe que eu vou dizer ou que importa?

As duas coisas.

Que coisas?

Sobre o que poderíamos conversar?

Você está apaixonado.

Um pouco.

Consegue medir?

Estou tentando não exceder os limites.

Há limites?

Sim, eu inventei alguns.

Para quê?

Não sucumbir.

Oi?

Estou muito apaixonado.

E não está sendo correspondido?

Estou.

Então? Falta o quê?

Ele aqui.

Ah... Entendi tudo...

Por que a reticências?

Quais?

Essas, na sua fala anterior.

Eu não usei reticências.

Usou sim. Deu para ver.

Certo, eu usei. Duas.

E quer me dizer o que com elas?

Que de novo não, né?

Não é de novo. É o mesmo, mas diferente.

Por isso você fala de limites, de não sucumbir, porque você já sabe onde tudo vai dar.

Eu deveria não sentir o que estou sentindo?

Você não deveria estar aqui comigo. Não sou uma boa companhia para amantes do amor.

Ainda nessa? Você ainda está nessa?

Estou.

É direito seu. Como é meu estar apaixonado.

Cada um tem o que merece.

É. Ou aquilo que quer merecer.

Tanto faz. Eu vou embora.

Vá...

Você usou reticências?

Usei. Para deixar a conversa em aberto e você poder voltar.

Obrigado.

Nada...

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