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domingo, 30 de novembro de 2014

Consciência

Há um instante precioso no dia-a-dia
A saber, aquele em que se reconhece
de maneira transparente
O transtorno
A afasia.

Reconhecido
O que se segue então é o jogo eterno
das ponderações:

Tá tudo bem
Vai ficar tudo bem
É isso mesmo
Daqui a pouco você sai dessa
É assim mesmo
Sempre foi assim
E então
de súbito
uma coisa inédita:

ao menos você tem consciência disso tudo.


Silêncio.

Os carros param.

Os pássaros pousam.

A música troca no fone de ouvido e faz nascer
breve silêncio concentrado numa só palavra:

consciência.

Guia-me então os passos:

caminho
meio remoído
caminho
meio cabisbaixo
mas é que sei
eu sei
eu vi
eu me flagrei

a vida é isso mesmo

jogo em desespero
no qual jogam-se os desesperados

ou se tem consciência da dureza
ou se samba sem sapatilha no asfalto queimado

Eu tenho consciência
Eu deixo a vida correr

Pássaros, carros, fumaças
tudo pode andar
até que seja preciso
que tudo pare
Para eu voltar
a me compreender.

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