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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Desejo Enlouquecido

Há um desejo enlouquecido
A dar conta desse corpo
Que se retorce em gozo
Profundo
E que se refaz nas cinzas das horas.

Um desejo em profusão
Que extrapola os limites do corpo
E que reivindica uma nova canção
Algo assim não inventado
Algo assim não todo mordido
Uma flor de pétalas
Amassadas.

Pois falo de desejos
Justamente por não contê-los
Por com eles não saber lidar
E nisso
Nessa estrada imprecisa
Erguer o rosto sem poder vivê-los

Pois me corrompem
Denunciam-me o rosto ligeiro
Enquanto estás comigo
E eu sou apenas um gracejo
Um gozo para ti
Uma lã roçando a pele
Feito um carneiro a sentir frio.

Ah, o seu beijo!
Exige de mim sempre mais
Sempre mais dos meus lábios

A sua pele
Sempre mais
Parece sedenta
E desperta ao improvável
Aos sabores que junto criamos
Quando o seu suor
Nessa noite de frio
Fica guardado
Guardado
E me conta através dos pêlos
Venha provar meu sabor

Doce delicado desejo
Esse de desnudar-se inteiro
E de caminhar após o amor já feito
Nu
Destemido
Sem o comum medo
De ver-se nu
Nu mesmo
Ao seu lado
Diante de ti
Nu
À espera
De nada.

O ar já não me falta
O corpo é nova morada
Donde deixo partir
Deixo estocado
O seu retorno
O seu espaço arquivado em mim
É a nossa casa
O nosso rim
Filtramos juntos
Esse mundo
E o sol da manhã que se anuncia

Eu estou em sua companhia
E isso por si é certo por demais.

O banho agora toca a sua pele
E ela torna-se limpa outra vez
Para que possamos nos sujar
De toda essa humanidade

Que me ensinou a ser cruel
Que me ensinou a ser verdade

Eu sobre você
E você sobre mim
E nesse meio
Confuso
De braços e ombros e dedos e estalares
Meu coração bate fundo
E morrer é lindo
Pois tudo é mesmo lindo quando se ama
O novo.

A barriga com fome
O olho com sono
O peito seco de suor partido

Esse cigarro
Indo no vento
É um pouco mais do que preciso.

Como saber?
Resta fazer
Amor
Com você.

Um comentário:

Caio disse...

perco as palavras diante de tanta e toda poesia. a única coisa que pode ser dita é o enorme gostar que tenho por esta história aqui relatada, neste poema.o apreço por este novo endereço. minha crença, um terço.
um para dois.

=*

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