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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

certa vez

acreditei que a poesia só existira se houvesse uma grande dor me comendo por inteiro. depois tive certeza disso. noutro depois, continuei acreditante. ainda que trouxesse comigo alguma dúvida - não me dou bem com fatos - eu continuei movido. adiante.

aqui estou agora. certo de que só a dor escreve através de mim. mas, se não estou doendo assim, como fazer poesia? precisa ser feita, a poesia? eu preciso escrever? é preciso, talvez, desvincular dor de criação.

por isso sento a bunda nesta cadeira. acendido o cigarro, já meio embrigado, eu escrevo não bem uma poesia, eu escrevo sobre o escrever. talvez, mais do que a dor - eu agora consigo supor - a fascinação me desse motivo para um bom verso.

me perco das finalidade. poesia não serve para nada.

viver serve?

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