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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O que eu gosto de elocubrar sobre mim,

Ei, cara
jogaste seu dia inteiro no lixo, não?
Acordaste bonito
compraste pão
jornal e queijo
Havia terminado o café
lido as manchetes
e ainda assim estava cedo.

02:00 e tanto a fazer.

O que você faz? Você dorme para esquecer,
dorme com medo das responsabilidades
dorme com medo de ser mais prático
e resolver aquilo que urge.

Para tudo em teu redor serás modesto
Exceto ao sexo
ao sexo não, ao sexo você é pontual
ao corpo que se choca e goza
ao dedilhar na pele
ao desentupir das artérias e veias e fissuras
você não exita,

mas,
se lhe pedem que varra o chão
se a louça agoniza à oléo dentro da pia
você se abstem
dizendo a juventude não rimar com faxina.

Que moralista estou sendo.
Que quadrado tenho precisado ser.
Conviver contigo está sendo a experiência mais atormentadora desde quando nascemos.

Você está irresoluto
Nada te ultrapassa você dita as rimas
Mas me cansa
me vicia nos seus vícios
me faz desperdiçar a vida viciando-se em fraquezas
tão
inferiores
ao que gosto de elocubrar sobre você.

Precisas de amor, é isso.

Ele vai chegar. E então,
será você - por inteiro -
a cama
a comida
a roupa largada

para enfim, ver que ser humano
é ser isso mesmo (que você é
e tudo aquilo que faz sua poesia
invejosa de ti
e de mim).

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