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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

resto

olho o lixo na esquina. com que beleza ele se organiza. as cascas vazias, ocas de paixão. os papéis moídos, revolvidos e neles escritas canções. silêncio. é noite a rua agoniza. é noite a rua plena se ensimesma, se solidifica. cada parte é engenho. cada falência é quebra mola que ameniza o acidente do transporte que vem ligeiro.

dentro dele eu resisto. eu me perguntando o porquê de tudo isso. o que em mim se acumula? o que ficou? o que foi que dentro do arroz feijão de cada esquina em minha pele se escreveu? indo sou eu? ou eu sou feito de outros? inda estou pleno ou ser pleno é ser como este corpo é ser torto?

cada esquina conserva em si seu enigma. cada esquina sua pureza, cada mazela seu temporal. o que resta de sangue coagulado, o que resta de história ali mal lavada. de tempo corrido feito suor de criança que nasce e morre na mesma estrada. suor que não se lava, mas que se engole hoje de novo e agora.

sou eu hoje mais tempo. noutro tempo diria ser eu mais morte. mas ser tempo é ser pleno, é ser mesmo clichê pau para toda obra no mesmo azar e sorte. ou côrte ou corte ou quem sabe, sou eu hoje, apenas um cansaço feliz. uma plenitude esboçada. uma corrida de automóveis cujo início se perdeu e cujo fim não se demora.

mas importa?

à maça amarelando sou a única coisa que parece valer,

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