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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Delicate

Longuíssimo
Caminho sem volta
Clichê sincero que
mais e somente mais
Apavora-me.

O que mais pedir
se o que se tem
Brusco
É tudo e nada
ao mesmo?

Tento
Como em tentação
Tento
Manter o peito atento
E as mãos em
cuidadosa
Vigília.

O discurso para ler o mundo
Foi cosido com palavras
Sem rima.

Prostração
Postergação
Moletom
tão somente
Moletom.

Inspiro fundo
mas estou repleto
Já não sei se só dúvidas
Mas é de algo assim
destempero
Que me alimento.

Todos olham o acidente na avenida.

Onde se compra massa corrida?

Para tapar a parede
Esburacada
Que me espelha
Sem cessar?

Onde compra?
Onde se compra
única possibilidade
De não mais se importar
com tanta desimportância?

Deus, oh, Deus
Parei de te escrever por minúsculas letras
Preciso a ti me juntar

Ou

Ou então

O que me resta?

Já não sei mais para que serve
Tanto pensar.
Tanto pesar.

Tanto
Tudo
Tanto
De volta
silêncio
Quero descansar.

Sem morte abrupta.

Quero
Preciso
Descansar.

Como faço?

Descanso ágil
Que me dê estômago renovado
Para lidar com tanta mazela
Que não sabe
outra coisa
Que não me lembrar
Que aqui ela está:

disposta sem mesa
sobre porcelanas partidas
com direito à sobremesa
que não me deixarão
esquecer que sim

É delicada
Essa brincadeira desfigurada
De ser e aqui

Estar.

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